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Futuro difícil com saída do grupo de Países Menos Avançados

Cabo Verde vai, inevitavelmente, sair do grupo de Países Menos Avançados (PMA) do mundo e o acréscimo de dificuldades económicas são já uma certeza.


Por Ricardo Bordalo
da Agência Lusa

Mas a forma como o processo irá decorrer e o intervalo entre a decisão e a consumação definitiva da saída dos PMA, só será decidido na reunião do Conselho Económico e Social (ECOSOC) da ONU a realizar em Junho próximo.

Perante a "inevitabilidade", o governo cabo-verdiano posiciona- se entre o agrado pelo reconhecimento internacional do esforço feito para desenvolver o país desde a independência, há 28 anos, e a certeza de que vão chegar ao fim os significativos benefícios que o arquipélago retirou por estar nos PMA.

Arnaldo Andrade, ministro da Presidência do Conselho de Ministros, explicou à Agência Lusa que o governo tem uma "clara consciência" do acréscimo de dificuldades que a saída dos PMA representa, mas, ao mesmo tempo, garante que "é uma oportunidade de dar um passo muito importante para o futuro do país".

Aquando da independência, em 1975, Cabo Verde tinha um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 200 dólares norte-americanos. Hoje, esse valor está prestes a atingir os 1.500 dólares.

Mas há outros indicadores que "empurram" Cabo Verde para fora do grupo de Países Menos Avançados, cuja discussão foi iniciada em 1997, quando os "números" começaram a aconselhar o abandono.

No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Cabo Verde tem indicadores claramente acima da média dos restantes PMA, 103º em 175 países, especialmente nas áreas da Saúde, Educação e esperança média de vida, embora sejam ainda de sublinhar os indicadores referentes ao número de telefones, televisões e casa própria.

Porém, este nível de desenvolvimento, sendo unanimemente reconhecido o esforço do país para isso, deve-se em muito às vantagens de pertencer aos PMA, sendo disso exemplo os benefícios concedidos em empréstimos direccionados para as infra-estruturas do arquipélago.

Um exemplo claro são os 10 anos de carência relativamente aos empréstimos bancários excepcionais, com juros a taxas extremamente baixas, por vezes menos de um por cento, com períodos de amortização de 40 anos e, por vezes, de 50.

Dos três indicadores que permitem a transição para o grupo de Países em Desenvolvimento ou de Desenvolvimento Médio, o IDH do PNUD, o rendimento per capita e a vulnerabilidade económica, só no terceiro é que Cabo Verde não corresponde, devido à sua situação geográfica (insularidade) e, especialmente, à falta de recursos naturais.

Na apreciação que o ECOSOC faz de dois em dois anos, todos os países que, por duas vezes consecutivas, atingirem níveis positivos em dois dos critérios, passam a ser considerados aptos para a "promoção". É o caso de Cabo Verde, tanto no IDH do PNUD como no rendimento per capita.

Para lidar com esta situação, o governo prepara Cabo Verde para o "contra-ataque", que passa, explica Arnaldo Andrade, pela preparação de um plano que visa estabelecer com os parceiros, no âmbito da ECOSOC, um período de transição.

"Este período é muito importante porque, apesar dos bons indicadores, o país não tem recursos e, as suas infra-estruturas (estradas, portos, aeroportos...) estão a 50 por cento do essencial", disse.

Para dar "o último salto", Cabo Verde terá, em Junho, de convencer o ECOSOC a avançar para um período de transição, que pode ir de cinco a 10 anos, onde deve acontecer um impulso forte ao desenvolvimento, nomeadamente na área da competitividade da economia do arquipélago.

"É que, às taxas de mercado - juros bancários - o país não vai poder manter o ritmo de investimento que permita atingir o ponto da irreversibilidade, um patamar onde o que até aqui foi construído não sofra retrocessos", sublinhou o ministro da Presidência do Conselho de Ministros.

Foi com o fito de preparar o país para o embate inevitável provocado pela, igualmente inevitável, saída dos PMA, que o primeiro ministro, José Maria Neves, no início desta semana, lançou um veemente apelo à Nação para arregaçar as mangas e enfrentar de frente este "enorme passo" para Cabo Verde.

Esta questão, no entanto, levou a oposição, nomeadamente o Movimento para a Democracia (MpD), a acusar o governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) de não estar a preparar o país convenientemente para o "embate", especialmente no âmbito das reformas económicas.

A saída de Cabo Verde dos PMA vai atingir o ponto alto da discussão política logo após as eleições autárquicas de 21 de Março, cerca de dois meses antes da reunião do ECOSOC, em que será alinhavado o calendário do abandono.


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Cortesia de WWW.NOTICIASLUSOFONAS.COM


MODERNIZAÇÃO DE CABO VERDE
“...A modernização em Cabo Verde, entra nos contexto dos países pobres do sul, periféricos ao ocidente industrializado egoista que impõe regras mais que nocivas para o equilibrio entre a democracia e a propria modernização...” (b)
RESPONSABILIDADES
ESTRATÉGIA
EDIÇÃO

“...o mesmo ocidente que esquece hipocritamente que para uma economia de subsistencia, o perdão total da divida externa é a melhor oportunidade para criar uma dinamização e uma nova reorganização financeira sem sacrificar o social...” (c)

 

“...as responsabilidades historicas do ocidente rico e industrializado poderiam materializar-se no caso concreto de Cabo Verde, no perdão total das dívidas externas e com ajudas concretas, forma objectiva de testemunhar fraternidade e incentivar, melhor que bons discursos, o desencadeamento da luta dificil para a modernização efectiva da economia e da sociedade e dignificar todos os caboverdianos, que sofreram na pele 500 anos de colonização, sem ódio nem violencia, convencidos na liberdade democratica e sentimento de responsabilidade de todo o seu povo no país e na diáspora...” (d)

“...o gosto pelo consumo e a abertura ao modernismo, empurrou Cabo Verde para o modelo de economia liberal que se traduziu numa destructuração, sob a forma de privatização de serviços publicos estratégicos de primeira necessidade, como por exemplo a distribuição da água, electricidade e o serviço telefone...” (a)


Consciente dos desafios e oportunidades que se impõe á sociedade caboverdiana, não podemos nem sequer, transitóriamente aceitar simplismos: PORTO GRANDE BUSINESS, apesar das dificuldades e limitações, pretende ser um espaço de todos os cidadãos caboverdianos, seguindo de perto o acontecer socio-economico, politico, cultural, turistico e desportivo de todas as nossas ilhas, que serão divulgadas, aqui, sob a forma de informação e reflexão. Pensar e divulgar a relação de Cabo Verde com o mundo, será também um dos objectivos do PORTO GRANDE BUSINESS.

(a),(b),(c),(d) Cabo Verde a Globalização de uma Economia de Subsistencia, in Tempo Exterior, Galiza-Espanha, Revista de Analise e Estudos Internacionais, segunda etapa, vol III, nº 4, Janeiro-Junho 2002, pp 129, autor: José Valdemiro Lopes.

 

 


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